Orelhas

Por Luiz Claudio Cunha

 

É um privilégio para um país ter uma jornalista de garra como Ana Helena.

 

Quantos repórteres tiveram, já aos 20 e tantos anos de vida, o impulso vital de buscar a verdade com os personagens decisivos de nossa história, como foi feito neste livro a partir de um estalo em 2009?

 

Contrariando o jornalismo preguiçoso de hoje, que se refestela em suas salas de ar condicionado para ouvir à distância os seus entrevistados, Ana saiu a campo para anotar, olho no olho, o relato de quem fez a diferença.

 

E o time de 26 craques que abriu a porta e o coração para recebê-la dá a justa medida da persistência, do faro e do talento dela.

 

Gente como os bispos Calheiros, Casaldáliga e Balduíno, jornalistas como Dines, Evandro, Tendler e Milton Coelho, advogados como Bicudo, Modesto, Rosa e Cerqueira, militares legalistas como o brigadeiro Rui e o coronel Ivan, ativistas como Cid, Cecília, Carlos Eugênio, Palmar e Lungaretti, artistas como Affonso Romano e Sérgio Ricardo.

 

Gente que honra e engrandece o Brasil e sua gente.

 

São depoimentos fortes de gente forte, que resistiu ao medo e nos inspirou à resistência. A argúcia de Ana Helena ajudou a selecionar este time insuperável.

 

A intenção da obra está resumida na frase exemplar de dom Pedro: ‘O problema é ter medo do medo’. E ‘o que o medo da ditadura tem a dizer à democracia?’

 

A lista de pessoas escaladas para responder a esta questão crucial está à altura do desafio.